Volume 03 / n. 04 jan.-jul. 2011: Artigos

Situação juvenil e formação de professores: Diálogo possível?

Juarez Tarcisio Dayrell

Professor adjunto da FaE/UFMG.

foto de Simone Grace de Paula

Simone Grace de Paula

Doutoranda da FaE/UFMG e professora da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade FUMEC.

Resumo

O presente artigo se propõe a refletir sobre a situação juvenil dos moradores da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), trazendo elementos que retratam as desigualdades sociais e educacionais vivenciadas pelos jovens. A intenção é possibilitar uma análise crítico-reflexiva sobre essa situação, a formação de professores e o ensino para a diversidade. Atentos para a complexidade da questão, temos a intenção não de esgotar a discussão sobre as questões relacionadas à escolarização da juventude, mas simplesmente de questionar estereótipos e visões negativas sobre os jovens presentes no espaço escolar e sensibilizar para a necessidade de construir outro olhar sobre esses sujeitos.


Palavras-chave

Diversidade // Formação Docente // Juventude

Introdução

Existe uma dupla dimensão presente quando falamos em condição juvenil: refere-se ao modo como uma sociedade constitui e atribui significado a essa condição, sua representação, e à forma como a situação é vivida no conjunto de realidades na sociedade, a condição social (DAYRELL, 2007; PERALVA, 1997; ABRAMO, 2005).

A condição juvenil é constituída de múltiplas dimensões que podem ser compreendidas a partir do contexto sociocultural mais amplo, no interior do qual os jovens vêm construindo sua experiência, o que imprime certas particularidades às vivências juvenis: tempo de tensão entre o presente e o futuro, de instabilidade e de incertezas. Tais características repercutem na constituição da condição juvenil nos seus tempos e espaços. Aliam-se a elas as transformações no mundo do trabalho devido à desestruturação do mercado de trabalho, o que tem gerado desemprego, desassalariamento e posto de trabalhos precários, atingindo principalmente os jovens pobres. As possibilidades de os jovens construírem carreiras lineares são menores, acentuando a vulnerabilidade e imprevisibilidade nas trajetórias juvenis (DAYRELL, 2007). Neste artigo, voltaremos nossa atenção para apenas uma dimensão da condição juvenil: a forma como a situação é vivida.

Ao buscarmos conhecer a situação juvenil, apresentamos, de forma sucinta, dados sobre os jovens moradores da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). A pesquisa quantitativa permitiu-nos delinear um perfil dos jovens moradores da RMBH, a partir das seguintes categorias: sexo, idade, cor, condição na unidade domiciliar, condição censitária e renda; condição de escolarização e trabalho. Esse tipo de abordagem metodológica exigiu-nos a definição um recorte etário. Adotamos o segmento populacional definido nacionalmente como juventude, os adolescentes jovens e os adultos jovens, com recorte etário de 15-29 anos. Esta é a delimitação utilizada pelos órgãos internacionais e oficiais brasileiros. Temos ciência de que o tempo da juventude não pode ser definido de forma tão rígida nem se constituir tão homogêneo, demarcando-se “um começo e um fim”, dada a diversidade de modos como essa fase da vida é experimentada. Entretanto, esse recorte é relevante para as análises demográficas, como é o caso desta investigação.

Para traçar um quadro geral de aspectos relacionados à juventude e ao sistema de ensino, mais especificamente o ensino médio, a metodologia de análise dos dados empregada, como já referida acima, é quantitativa, consistindo na obtenção de dados descritivos, como frequências, médias, mínimos e máximos, e também de correlações a partir do cruzamento de dados. Também foram calculadas as taxas de escolarização bruta e líquida, a taxa de atendimento do ensino médio e a distorção idade-nível de ensino.

Este artigo está organizado em quatro seções. Na primeira, realizamos uma breve discussão sobre a formação de professores. Na segunda, realizamos uma análise descritiva sobre os jovens entre 15 e 29 anos com o objetivo de construir um perfil dessa população, na busca de pistas que possibilitem entender melhor esse sujeito dentro do contexto de escolarização. Na terceira, discutiremos a relação entre juventude e escolarização, e, por último, procuramos estabelecer uma rápida relação entre escolarização e trabalho.

Qual é o “lugar” dos sujeitos no processo de formação de professores?

Ao longo da história, os processos de formação dos professores, tanto inicial como continuada, voltaram-se para a definição de perfil do profissional que se queria desenvolver e para as estratégias que seriam adotadas para obter tal objetivo, pois “toda formação encerra um projeto de ação. E não há projetos sem opções” (NÓVOA, 1995, p. 31). Nessa perspectiva, nos projetos de formação de professores, opta-se pelo perfil de professor que se quer formar e pelas estratégias que serão utilizadas para obter tal formação, mesmo que nos documentos não sejam explicitadas. Essas escolhas constituem paradigmas de formação que podem ser entendidos como “uma matriz de crenças e suposições sobre a natureza e os propósitos da escola, do ensino, dos professores e da sua formação, que configuram um conjunto de características específicas na formação de professores” (ZEICHNER, 1983 apud GARCIA, 1999, p. 54).

  • Correspondência

    Juarez Tarcisio Dayrell


    Simone Grace de Paula


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