Volume 09 / n. 17 ago. - dez. 2017: Artigos

Impactos da pós-graduação stricto sensu na formação de professores de português da educação básica do Distrito Federal

foto de Vidiane Casimiro da Silva

Vidiane Casimiro da Silva

Graduada em Letras pela Faculdade Michelangelo (2007). Especialização em Língua Inglesa pela Anhanguera (2010). Mestre em Educação em Ciências pela UFRGS (2015). É Analista em Ciência e Tecnologia da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES desde 2009. Desenvolve pesquisa sobre formação continuada de professores. Tem artigos publicados versando sobre o tema formação continuada de professores.

Lisiane de Oliveira Porciúncula

Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS
Endereço: Av. Paulo Gama, 110 – Bairro Farroupilha – Porto Alegre – RS CEP: 90040-060

Resumo

Este trabalho procurou investigar o impacto do crescimento da Pós-graduação stricto sensu na formação de professores de português da Educação básica que atuam na rede pública de ensino do Distrito Federal (DF), avaliando o comparativo entre o crescimento da Pós-graduação stricto sensu, nas áreas de Educação e Letras, nos últimos 10 anos com a relação de professores da Educação Básica atuantes na rede pública de ensino do DF que ingressaram e obtiveram os títulos de mestrado e/ou doutorado no mesmo período, possibilitando observar a evolução da formação continuada dos professores nesse nível de ensino. Também foram apontados aspectos que dizem respeito ao Sistema Nacional de Pós-graduação e o papel da CAPES no incentivo da formação continuada de professores em nível de Pós-graduação stricto sensu. Pesquisas realizadas sobre a formação continuada de professores foram analisadas. As conclusões confirmam o avanço no envolvimento de professores da Educação Básica atuantes na rede pública de ensino do DF com a Pós-graduação stricto sensu e ao mesmo tempo a importância de esforços adicionais de incentivo para um crescimento mais expressivo de ingressos e titulações.


INTRODUÇÃO

Nos últimos anos, a velocidade do desenvolvimento econômico, fruto da ação de globalização crescente, exige das escolas do setor público e privado alto padrão de qualidade a fim de permitir bons resultados face à concorrência. O desenvolvimento social periódico provoca a necessidade de busca por recursos humanos qualificados gerando novas exigências de ensino para a sociedade exigindo a renovação continua dos objetivos instituídos para a formação de professores. Portanto, muitas mudanças são necessárias para melhorar os resultados de aprendizagem na educação básica, pilar da educação brasileira, e a atuação do professor destaca-se como fundamental nessas mudanças.

Diante desse cenário, o governo brasileiro vem criando diversas políticas de incentivo a capacitação docente. A Lei Nº 13.005, de 25 junho de 2014, trata sobre o Plano Nacional de Educação – PNE para o decênio 2011-2020. Nele constam metas e estratégias que deverão ser cumpridas no prazo de vigência do PNE – 2011/2020. A meta 16 é “formar 50 % dos professores da Educação Básica em nível de Pós-graduação lato e stricto sensu, garantir a todos formação continuada em sua área de atuação.” A partir de 2007, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES – passou a atuar na formação de professores da Educação básica aumentando a abrangência de suas ações no desenvolvimento de pessoal qualificado no Brasil e no exterior.

O ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa apresenta grandes dificuldades no alcance de índices positivos. Segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional – INAF de 2001 a 2011, desenvolvido pelo Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa, “o percentual da população alfabetizada funcionalmente foi de 61% em 2001 para 73% em 2011, mas apenas um em cada 4 brasileiros domina plenamente as habilidades de leitura, escrita e matemática”. Para Terezinha Nunes (1992):

  • Não existe dúvida de que a gramática desempenhe um papel na leitura. Quando as crianças começam a ler, elas rapidamente compreendem que o significado e a gramática das sentenças escritas oferecem indicações importantes, auxiliando-as na decodificação de palavras de difícil leitura. As crianças usam parte das sentenças para predizer ou antecipar as palavras que virão a seguir no texto e essa antecipação facilita a leitura.

Visto que a Língua Portuguesa é a base do ensino brasileiro, o desempenho adequado em seu ensino-aprendizagem é fundamental para alcançar o desenvolvimento correspondente na aprendizagem de outras tantas disciplinas. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP, a Prova Brasil, promovida desde 2005, realiza a avaliação de desempenho dos estudantes da educação básica nas áreas de Língua Portuguesa e Matemática e oferece resultados por escola, município, Unidade da Federação e país. Também são aplicados questionários socioeconômicos à comunidade escolar e aos estudantes. Os resultados alcançados nessas provas, das quais as médias de desempenho subsidiam o cálculo do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB, realizado pelo INEP, apresentam a baixa qualidade da educação e permitem reconhecer as peculiaridades regionais, podendo comparar diferentes escolas e constatar que a oferta educacional não é igual para todos.

No Distrito Federal – DF as notas do IDEB, revelam que os resultados veem se mantendo ou aumentado timidamente em todas as modalidades de ensino nos últimos anos. Porém, as metas instituídas para 2013 foram obtidas apenas na 4ª serie/5º ano da educação básica. Para a 8ª serie/ 9º ano o resultado em 2013 foi de 3.9 enquanto a meta para esse ano era de 4.1. Já na 3ª serie do Ensino Médio o DF não alcançou as metas de 2011 e 2013.

PANORAMA DAS PESQUISAS SOBRE FORMAÇÃO CONTINUADA

A origem e a urgência de capacitação profissional docente, e em tantos outros ramos, não são por acaso. Segundo Gatti (2008), essa necessidade de formação tem base histórica em condições emergentes na sociedade contemporânea, nos desafios colocados aos currículos e ao ensino, nos desafios postos aos sistemas pelo acolhimento cada vez maior de crianças e jovens, nas dificuldades do dia-a-dia nos sistemas de ensino, anunciadas e enfrentadas por gestores e professores e constatadas e analisadas por pesquisas.

Para Rigolon (2007):

  • Muitos têm sido os estudos e debates em torno da formação continuada de professores e do trabalho docente. Autores como, Fusari (1997), Nóvoa (1998), André (2000), Mizukami (2002), Oliveira (2003), Souza (2005) e Tardif (2005) têm se preocupado com o processo de trabalho nas escolas diante das políticas educacionais. No final da década de 1990, a posição declarada do MEC era a de que a “a formação de que dispõem os professores hoje no Brasil não contribuiu para que seus alunos tivessem sucesso nas aprendizagens escolares” (MEC, 1999).

Segundo o INEP, capacitar os professores é a opção mais viável para melhorar o desempenho dos alunos conforme estudo do Instituto Ayrton Senna e do Boston Consulting Group sobre a Formação Continuada de Professores no Brasil, que apresenta desafios e oportunidades relacionados à formação continuada de docentes no Brasil, e afirma que estudantes expostos a bons professores aprendem de 47% a 70% a mais do que aprenderiam em média em um ano escolar. Para Leite (2010), um professor bem formado, motivado, com condições de trabalho adequadas e envolvido em um processo de formação contínua, que lhe forneça elementos para a constante melhoria de sua prática, é o elemento mais importante para a educação de qualidade.

Muito se tem avançado na formação continuada de professores da educação básica na Pós-graduação stricto sensu, mas a ligação entre pesquisa e professor ainda precisa progredir. Na percepção de Ludke (2012):

  • A questão da pesquisa do professor da educação básica, ou do professor pesquisador, além das dificuldades de natureza material, organizacional e de formação, ainda sofre as de cunho epistemológico (que pesquisa é essa? Como se define, como se reconhece?) e até ideológico (será bom confundir o trabalho do professor e o do pesquisador?). Mas alguns argumentos poderosos se levantam para neutralizar esses obstáculos; o mais forte deles, a nosso ver, aponta a atividade de pesquisa e a formação para ela como importantes aliados do desenvolvimento profissional do professor.

A prática de pesquisa, segundo Erickson (1989), é decisiva para ajudar o professor da educação básica a conquistar sua autonomia plena, a sair da situação de dependência, quase de imaturidade, em relação aos professores do ensino superior, na qual ainda se encontra.

No estudo realizado por Lüdke; Rodrigues e Portella (2012) sobre o mestrado como via de formação de professores da educação básica para a pesquisa, procurou-se investigar como esse nível de ensino desempenha sua função como preparador para a realização de atividades de pesquisa principalmente para o professor. Embora os cursos de Pós-graduação na área de Educação venham se consolidando ao longo dos anos, segundo as autoras, foi no Plano Nacional de Pós-graduação (PNPG) 2005-2010 que os professores da educação básica passaram a ser contemplados explicitamente na formulação das políticas educacionais relativas a esse nível de ensino.

  • Correspondência

    Vidiane Casimiro da Silva


    Lisiane de Oliveira Porciúncula


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