Volume 09 / n. 17 ago. - dez. 2017: Artigos

Formação de professores: abordagens metodológicas na Arte e na Ciência

foto de Josie Agatha Parrilha da Silva

Josie Agatha Parrilha da Silva

Graduada em Pedagogia pela UEM-Maringá (1988) e Licenciada em Artes Visuais pelo CESUMAR-Maringá (2006); Especialista em Educação Pública no Brasil pela UEM – Maringá (2003); Especialista em Docência no Ensino Superior pelo CESUMAR (2007); Mestre em Educação pelo PPE-UEM-Maringá (2006) e Doutora em Ensino de Ciência e Matemática pelo PCM-UEM-Maringá (2013); Pós Doutorado em Educação para a Ciência pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciência-UNESP-Bauru (2016). É Professora Adjunta da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Trabalha no Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciência e Educação Matemática da UEPG e no Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciência e Tecnologia da UTFPR-campus Ponta Grossa. Orienta pesquisas na área de ensino, com ênfase na relação Arte-Ciência. Tem artigos, capítulos e livros publicados versando sobre temas ligados ao ensino de Artes Visuais e Ciência, Arte-Ciência e Interdisciplinaridade. Desenvolve, atualmente, pesquisa ligada ao tema Imagens na relação Arte-Ciência. É líder do grupo de pesquisa Interação entre arte, ciência e educação: diálogos e interfaces nas Artes Visuais – INTERART/UEPG/CNPq.

Roberto Nardi

Universidade Estadual Júlio de Mesquita, Campus de Bauru.

Resumo

O artigo apresenta discussões sobre abordagens metodológicas das áreas de Ciências/Física e de Arte/Arte Visuais, foco de nossa discussão interdisciplinar. Estas discussões foram desenvolvidas no de decorrer de uma pesquisa de Pós-doutorado realizada no Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência da Universidade Estadual Júlio de Mesquita, Campus de Bauru (UNESP-BAURU). A proposta foi trabalhar com a formação de professores em exercício, que propiciasse subsídios interdisciplinares, em especial, ligados às áreas de Arte e Ciência. Para tanto, desenvolvemos pesquisas com fundamentação teórico-filosófica e metodológica nas duas áreas de conhecimento. A discussão do tema surgiu a partir do questionamento quanto a proposta interdisciplinar sugerida para a Educação Básica observada em documentos federais e estadual de um lado e a formação disciplinar dos professores. Desta forma, enquanto o professor não tem uma formação disciplinar exige-se dele tal atuação. A partir deste problema decidimos propiciar uma vivência interdisciplinar aos professores e esta iniciativa se deu a partir do curso – Arte e Ciência na Lua: projetos educativos interdisciplinares na prática docente a partir do tema Lua para professores que atuam na Educação Básica. O curso foi desenvolvido numa parceria entre Universidade e Secretaria de Estado da Educação- Diretoria de Ensino de Bauru (SEED-Bauru). No decorrer do curso diversas discussões foram desenvolvidas, entre elas, a questão da metodologia de ensino. Ao abordarmos metodologias para diferentes áreas de conhecimentos vislumbramos diferenças significativas e apresentaremos algumas discussões quanto à fundamentação teórica e às propostas metodológicas que envolvem a prática docente destas duas áreas de conhecimento: Arte e Ciência. Nosso objetivo foi o de contribuir com a formação interdisciplinar de professores a partir de discussões e aproximações entre as metodologias de ensino das áreas de Arte (Artes Visuais) e Ciência (Física). Destacamos entre os referencias teóricos pesquisadores de diferentes áreas como: Hilton Japiassu (1976, 2006); Barbosa (2012); Carvalho e Gil-Perez (2011), Demo (2011), Fazenda (2012). A organização da pesquisa se deu a partir de três momentos: no primeiro apresentaremos algumas discussões que envolveram propostas metodológicas para o Ensino de Ciência, em seguida para o Ensino de Arte e, ao final esboçamos possibilidades de aproximação entre as metodologias de ensino destas diferentes áreas de conhecimento. Pontuamos a necessidade de desenvolver discussões sobre diferentes metodologias em cursos de formação de professores como forma de subsidiar fundamentação teórico-prática para propostas interdisciplinares no ensino escolar.


INTRODUÇÃO

Esse artigo reporta-se às discussões teórico-práticas desenvolvidas no decorrer de uma pesquisa de Pós-doutorado realizada no Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência da Universidade Estadual Júlio de Mesquita, Campus de Bauru (UNESP-BAURU). A proposta foi trabalhar com a formação de professores em exercício, que propiciasse subsídios interdisciplinares, em especial ligados às áreas de Arte e Ciência. Para tanto, desenvolvemos pesquisas com fundamentação teórico-filosófica e metodológicas nas duas áreas de conhecimento.

O interesse pelo tema surgiu tanto pela nossa vivência na relação Arte e Ciência, quanto por vislumbrarmos problemas relacionados à interdisciplinaridade na educação escolar. Enquanto os documentos Federais como Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN e estaduais, como Diretrizes Curriculares da Educação Básica – Estado do Paraná e Currículo do Estado de São Paulo (para citar apenas 2 exemplos) sugerem que os professores desenvolvam propostas interdisciplinares na Educação Básica, a formação destes professores mantém-se disciplinar. Desta forma, exige-se do professor que não tem formação interdisciplinar que atue interdisciplinarmente. Detectamos entre uma das primeiras dificuldades enfrentadas pelo professor para desenvolver a interdisciplinaridade a falta de vivência teórico-prática interdisciplinar no decorrer de sua formação escolar.

Diante dessa dificuldade que ao nosso ver constitui-se de um problema na formação dos professores, decidimos no decorrer dos últimos dois anos, desenvolver iniciativas de cursos de formação interdisciplinar para professores em exercício, ou seja, a formação continuada. Em especial desenvolvemos o curso Arte e Ciência na Lua: projetos educativos interdisciplinares na prática docente a partir do tema Lua em parceria com a SEED-Bauru para professores que atuam na Educação Básica.

Uma das principais discussões que abordadas no curso de formação foi quanto à metodologia de ensino e este será o foco deste artigo. Importante destacar que essa discussão foi ampliada no decorrer do curso, pois, apesar de apresentarmos uma proposta definida quanto a temas, o curso se foi construído em conjunto com os coordenadores de área e professores participantes. Um exemplo quanto a alterações na ideia original, foi quanto aos professores-participantes, que deveriam ser das áreas de Ciências, Física e Arte, contudo, foram aceitos professores de Geografia. Essa inserção se deu pela flexibilidade no encaminhamento do curso que se seu numa parceria entre Universidade e Secretaria de Estado da Educação- Diretoria de Ensino. [*]

Essa relação entre a equipe que coordenava o curso (Universidade), coordenadores de área e os próprios professores é em nosso entendimento fundamental para a formação de professores. Destacamos a apresentação de Terrazan e Gama (2007) dos três níveis do desenvolvimento profissional do professor: formação individual; formação de Grupos de Trabalho e formação em espaços coletivos mais amplos (seminários e congressos). A formação que possibilitamos no decorrer do curso, foi pensada a partir destes ter níveis. No decorrer do curso os professores: desenvolveram estudos e pesquisas individuais, realizaram discussões e pesquisas em grupos e, por fim, tiveram acesso a materiais teórico-práticos elaborados por docentes/pesquisadores.

Ao abordarmos metodologias para diferentes áreas de conhecimentos vislumbramos diferenças significativas. Como nosso foco é o de discutir uma proposta interdisciplinar a partir da relação Arte e Ciência, apresentaremos algumas discussões quanto à fundamentação teórica e às propostas metodológicas que envolvem a prática docente destas duas áreas de conhecimento. A área de Arte abriga quatro subáreas, contudo, focaremos a de Artes Visuais e em relação à Ciência, a tendência será a de discussões da área de Física.

Ao falarmos em metodologia de ensino nos reportamos automaticamente às práticas educacionais específicas, que se apresentam, invariavelmente, de forma pouco clara, mas que encerram em si algumas teorias filosóficas. Se cada área possui sua metodologia de ensino, como desenvolver a interdisciplinaridade na escola? Que proposta metodológica seria adequada para diferentes áreas de conhecimento? Seria possível apresentar uma única proposta?

Para buscar respostas à estas questões apresentaremos algumas abordagens metodológicas para o ensino de Ciências/Física e de Arte/Arte Visuais, foco de nossa discussão interdisciplinar. Nosso objetivo foi o de contribuir com a formação interdisciplinar de professores a partir de discussões e aproximações entre as metodologias de ensino das áreas de Arte (Artes Visuais) e Ciência (Física).

Apresentamos dois pressupostos que irão fundamentar nossa pesquisa:

1º) O historiador de arte Gombrich (1999, p. 14) afirma que: “Nada existe realmente a que se possa dar o nome Arte. Existem somente artistas. ”. A partir dessa ideia entendemos sobre a relação do ser humano com a produção artística, que o homem é o produtor e foco central da Arte, sem ele não existiria a Arte. Ao nos reportarmos à Ciência, temos a mesma interpretação: a importância do homem para a produção cientifica. Mesmo que muitas vezes esse homem não seja evidente quanto numa pintura que recebe uma assinatura, a Ciência é uma produção humana. Assim, nossa opção foi a de discutir ideias de autores, já que são eles os produtores e sujeitos de produções metodológicas nas duas áreas: Arte e Ciência. Faremos um recorte autoral e temporal ao apresentarmos algumas propostas metodológicas: o recorte autoral refere-se aos autores selecionados que discutem sobre o ensino de Ciência (Física) e de Arte (Artes Visuais), os quais são reconhecidos e citados por seus pares. O recorte temporal será o das últimas três décadas.

2º) Postulamos a interdisciplinaridade não como uma metodologia e sim como uma epistemologia, pautado em Japiassu (1976, p.35) e inferimos que para desenvolver a interdisciplinaridade é preciso “que cada um esteja impregnado de um espírito epistemológico suficientemente amplo para que possa observar as relações de sua disciplina com as demais, sem negligenciar o terreno de sua especialidade.”

A partir destes dois pressupostos, partiremos do princípio que discussões sobre conceito, e referencial teórico sobre interdisciplinaridade já foram realizadas, sendo o intuito deste ensaio apresentar algumas reflexões sobre propostas de metodologias de ensino destas duas áreas de conhecimento (Arte/Artes Visuais e Ciência/Física) que propiciam a interdisciplinaridade.

Organizaremos essa pesquisa em três momentos: no primeiro apresentaremos algumas discussões que envolvem propostas metodológicas para o Ensino de Ciência, em seguida para o ensino de Arte e, ao final esboçaremos possibilidades de aproximação entre as metodologias de ensino destas diferentes áreas de conhecimento. Inferimos que essas discussões sobre metodologias de ensino das áreas de Arte e Ciência são importantes para a formação de professores e pode contribuir para enriquecer sua formação e subsidiar propostas interdisciplinares no ensino escolar.

  • Correspondência

    Josie Agatha Parrilha da Silva


    Roberto Nardi


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