Volume 09 / n. 16 jan. - jun. 2017: Artigos

Os movimentos reflexivos presentes nas pesquisas do núcleo UFMS no projeto em Rede Observatório da Educação

foto de Patrícia Sandalo Pereira

Patrícia Sandalo Pereira

Doutora e Mestre em Educação Matemática (UNESP – Rio Claro/SP). Diretora do Instituto de Matemática – INMA e Docente no curso de Licenciatura em Matemática, no Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática (Mestrado e Doutorado) e no Doutorado em Ensino de Ciências da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS. Líder do Grupo de Pesquisa Formação e Educação Matemática – FORMEM. Lattes: http://lattes.cnpq.br/9126213537245312. Campo Grande – Mato Grosso do Sul – Brasil

Resumo

Este artigo traz alguns resultados das primeiras pesquisas desenvolvidas no Núcleo UFMS vinculadas ao projeto de pesquisa em rede, aprovado no Edital 049/2012, do Programa Observatório da Educação da Capes, intitulado “Trabalho colaborativo com professores que ensinam Matemática na Educação Básica em escolas públicas das regiões Nordeste e Centro-Oeste”. As pesquisas utilizaram, como referenciais teóricos e metodológicos, os pressupostos da pesquisa colaborativa, fundamentados em Desgagné (2007) e Ibiapina (2008). A pesquisa colaborativa diferencia-se de outras metodologias pelo seu caráter participativo, colaborativo e reflexivo, ou seja, tem uma dupla identidade: a pesquisa e a formação. Os resultados apontados nas pesquisas evidenciaram que a ação conjunta entre pesquisadores e professores da Educação Básica possibilitou movimentos participativos, colaborativos e reflexivos, possibilitando aos professores explorar e questionar os seus próprios saberes e práticas, além de propiciar o enfrentamento e a superação das necessidades apresentadas no desenvolvimento de suas práticas docentes.


Palavras-chave

Formação Continuada // Observatório da educação // Pesquisa Colaborativa

INTRODUÇÃO

O movimento formativo do sujeito a partir da realidade objetiva é um caminho que possibilita inúmeras reflexões. Um caminho que tem se evidenciado de forma a amenizar o abismo inerente entre a formação inicial, formação continuada, extensão e formação em pesquisa e divulgação científica é o da política de formação e desenvolvimento profissional de professores da rede pública, no qual nasce o Programa Observatório da Educação (OBEDUC). Esse Programa foi instituído pelo Decreto Presidencial nº 5.803, de 08 de junho de 2006, resultado da parceria entre a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP, com a finalidade de fomentar a produção acadêmica e a formação de recursos pós-graduados em educação, em nível de mestrado e doutorado, por meio de financiamento específico1. Um ponto importante a ser ressaltado nesse Programa é a união de acadêmicos de graduação e de pós-graduação juntamente com os professores da Educação Básica e pesquisadores para juntos desenvolverem pesquisas.

Reafirmando essa importância, em 2013, durante o 4º Seminário do Programa Observatório da Educação (OBEDUC), a Diretora de Formação de Professores da Educação Básica – Carmen Moreira de Castro Neves explicitou o foco a ser sustentado pela Capes: Queremos ter na Capes uma política de estado de formação de professores sólida, que englobe formação inicial; formação continuada e extensão e formação em pesquisa e divulgação científica.

Dentro dessa perspectiva, temos que a formação continuada tem sido um importante instrumento de políticas públicas do Governo e as instituições de ensino superior têm se engajado na articulação com a Educação Básica no sentido evidenciado por Zeichner (2010). Esse autor, ao referir-se sobre o aperfeiçoamento dos sujeitos afirma que

  • […] a criação de espaços híbridos na formação de professores no qual o conhecimento empírico e acadêmico e o conhecimento que existe nas comunidades estão juntos de modo menos hierárquicos a serviço da aprendizagem docente (ZEICHNER, 2010, p. 479).

Nesse viés, a partir dessas parcerias, foi desenvolvido o projeto em rede intitulado “_Trabalho colaborativo com professores que ensinam Matemática na Educação Básica em escolas públicas das regiões Nordeste e Centro-Oeste_”, que foi aprovado no Edital 049/2012 do Programa Observatório da Educação – OBEDUCCAPES e tem como objetivo propiciar, por meio de práticas colaborativas, a reflexão desses professores acerca do trabalho didático/pedagógico e desencadear ações educativas voltadas para a sala de aula.

Este projeto contou com a participação de três Universidades: Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS – instituição sede), Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e Universidade Federal de Alagoas (UFAL), com um total de 46 integrantes entre doutores, doutorandos, mestres, mestrandos, licenciandos em Matemática e Pedagogia e professores da Educação Básica de Matemática.

Neste artigo, relataremos o caminhar das pesquisas atreladas ao grupo de pesquisa FORMEM – Formação e Educação Matemática que foram desenvolvidas no projeto OBEDUC no Núcleo UFMS, em particular, duas dissertações de mestrado que foram concluídas no período, são elas: Pardim (2015) e Jorge (2015).

O MOVIMENTO DE PESQUISA E A FORMAÇÃO NO PROJETO OBEDUC

Na perspectiva de minimizar as lacunas inerentes à formação docente, nas últimas décadas, algumas políticas públicas educacionais foram implantadas pelo governo federal, o qual lançou várias ações visando atender tanto a demanda de formação inicial, em nível superior exigida por Lei, quanto à formação continuada.

Gatti (2003) aborda o conceito de formação docente como sendo um processo histórico e socialmente construído, o que implica necessariamente considerar o professor como um sujeito imbuído de realidades objetivas, “em função de complexos processos não apenas cognitivos, mas, socioafetivo e culturais”. (GATTI, 2003, p. 192).

Essa autora afirma que,

  • […] é preciso ver os professores não como seres abstratos, ou essencialmente intelectuais, mas, como seres essencialmente sociais, com suas identidades pessoais e profissionais, imersos numa vida grupal na qual partilham uma cultura, derivando seus conhecimentos, valores e atitudes dessas relações, com base nas representações constituídas nesse processo que é, ao mesmo tempo, social e intersubjetivo. (GATTI, 2003, p. 196)

Ao tratarmos especificamente da formação continuada de professores, cabe ressaltar que muitas políticas voltadas a essa formação têm se mostrado ineficazes, pois, segundo Gatti (2003), as suas ações não têm considerado o fato de que os professores “são pessoas integradas a grupos sociais de referência nos quais se gestam concepções de educação, de modos de ser, que se constituem em representações e valores que filtram os conhecimentos que lhes chegam” (GATTI, 2003, p. 192). Logo, ao desconsiderar esses fatores, tem-se uma concepção limitada de que:

  • […] o aumento e a melhoria do rol de conhecimentos informativos, adquiridos individualmente, será suficiente para melhorar ou modificar conceitos e práticas ligados ao trabalho profissional de professores. (GATTI, 2003, p. 196)

Corroborando com essa discussão, Nóvoa (1995) afirma que

  • […] a formação não se constrói por acumulação (de cursos, de conhecimentos ou de técnicas), mas sim através de um trabalho de reflexividade crítica sobre as práticas e de (re)construção permanente de uma identidade pessoal. Por isso é tão importante investir na pessoa e dar um estatuto ao saber da experiência (NÓVOA, 1995, p. 25).

Nessa perspectiva, a prática docente objetiva dos professores ganharia status de objeto de estudo, partindo sempre da necessidade do sujeito, na busca da prática ontológica, buscando compreender a sua origem, a sua natureza e, por fim, a sua verdadeira função.

Nessa tentativa, podemos observar que muitas pesquisas voltadas para a formação continuada de professores têm se pautado em programas que privilegiam a parceria entre escolas e universidades. Essas pesquisas desenvolvem ações conjuntas, buscando atender as necessidades do docente em seu lócus de atuação profissional: a sala de aula, viabilizando a constituição de espaços formativos que valorizam a reflexão desses professores acerca da sua prática. Pesquisadores como Ponte (1995), Ferreira (2003) e Sousa (2013), dentre outros, têm defendido essas parcerias, propondo a constituição de grupos de trabalho dentro das escolas. Esses pesquisadores veem a escola e o trabalho colaborativo como instâncias do desenvolvimento dos professores, por proporcionarem condições de formação permanente, compartilhamento de experiências e busca de soluções para os problemas que emergem do contexto escolar.

  • Correspondência

    Patrícia Sandalo Pereira


  • Download do artigo

    Os movimentos reflexivos presentes nas pesquisas do núcleo UFMS no projeto em Rede Observatório da Educação Download

  • Cadastre-se

    Caso queira obter informações sobre a Revista “Formação Docente”, cadatre-se e receba atualizações periódicas sobre a produção acadêmica na área da formação de professores. Cadastre-se

  • Latindex
  • sumarios.org
  • BBE
  • CAPES

    Portal de Periódicos/Qualis

  • Diadorim

    Deadorim

  • Edubase

    Edubase