Volume 09 / n. 16 jan. - jun. 2017: Artigos

Escola pública no/do campo, formação de professores e projeto político-pedagógico: experiências no contexto do Programa Observatório da Educação

foto de Maria Antônia de Souza

Maria Antônia de Souza

Graduada em Geografia pela UNESP-Presidente Prudente (1991). Mestre e Doutora em Educação pela UNICAMP (1994; 1999). Bacharel em Direito pela Universidade Tuiuti do Paraná (2012). É professora Associada C na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). É professora Adjunta da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP). Trabalha no Programa de Pós-Graduação Mestrado e Doutorado em Educação com a disciplina Prática de Pesquisa e Educação do Campo. Orienta mestrandos e doutorandos que se interessam pela Educação do Campo e Escolas Públicas no/do Campo. Desenvolve pesquisa sobre movimentos sociais e Educação do Campo. Tem artigos, livros e capítulos de livros publicados versando sobre o tema movimentos sociais e educação do campo. É bolsista Produtividade em Pesquisa do CNPq, nível 1C. Participa do GT 3 – Movimentos Sociais, Sujeitos e Processos Educativos, ANPEd. Coordena projetos de pesquisas na área da Educação do Campo, financiados pelo CNPq e pela CAPES/Observatório da Educação.

Resumo

: O objetivo deste texto é caracterizar as experiências desenvolvidas em escolas públicas no/do campo, nos municípios da Região Metropolitana de Curitiba. São experiências relacionadas aos temas da formação continuada de professores, projetos político-pedagógicos e produção do conhecimento em educação do campo. São analisados dois projetos de pesquisa executados no período de 2011 a 2016. São envolvidos 24 municípios, professores, estudantes de graduação e de pós-graduação e equipes pedagógicas. Prima-se pelos passos da investigação-ação na relação entre universidade e escola pública. Conclui-se que os projetos vinculados ao Observatório da Educação da CAPES/INEP possibilitaram o empoderamento de professores das escolas públicas, de estudantes e de professores da graduação e pós-graduação no que tange aos conhecimentos da educação do campo e as necessidades da educação básica, em particular no campo.


Palavras-chave

Educação do campo // Escola Pública // Formação de Professores // Projeto político-pedagógico

INTRODUÇÃO

O objetivo deste texto é caracterizar as experiências desenvolvidas em escolas públicas no/do campo nos municípios da Região Metropolitana de Curitiba (RMC), a partir do Programa Observatório da Educação (OBEDUC), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). São experiências relacionadas ao tema da formação continuada de professores, projetos político-pedagógicos (PPPs) e produção do conhecimento em educação do campo. São analisadas as atividades do período de janeiro de 2011 a outubro de 2016, contemplando as ações de dois projetos financiados pela CAPES/INEP , que são realizados em municípios da RMC.

O estado do Paraná possui a Articulação Paranaense Por uma Educação do Campo (APEC), formalizada no ano de 2000, durante a II Conferência Estadual de Educação do Campo. A APEC organiza-se em regionais no estado do Paraná, sendo a RMC um território de pouca ação dessa Articulação. O NUPECAMP , por meio de pesquisas, tem trazido a realidade das escolas no/do campo da RMC para o debate junto ao coletivo da APEC. Discute-se o fato de que é uma região pouco politizada no que diz respeito às experiências da educação do campo e às lutas por valorização da agricultura familiar camponesa, além de ter necessidades de toda natureza, em particular processos de formação de professores e de gestores.

Do ponto de vista do método, destacam-se as categorias do materialismo histórico dialético na análise da realidade educacional do Brasil, em particular da escola pública. Categorias tais como contradição, totalidade e prática social são essenciais para captar as manifestações da realidade no que tange à trajetória da educação do campo e aos seus possíveis impactos nas escolas públicas localizadas no campo. Cury (1989, p.30) auxilia na compreensão das categorias necessárias ao estudo da educação. Ao tratar da contradição, afirma que:

  • A contradição não é apenas entendida como categoria interpretativa do real, mas também como ela própria existente no movimento do real, como motor interno do movimento, já que se refere ao curso do desenvolvimento da realidade.

Reitera-se o que está posto em outras obras de autoria desta pesquisadora, ou seja, de que é dessa perspectiva teórica que a educação do campo e as escolas públicas são tratadas, ou seja, como determinadas e determinantes no movimento do real, característico do modo de produção capitalista. Como afirma Cury (1989, p. 30), “A contradição é destruidora, mas também criadora, já que se obriga à superação, pois a contradição é intolerável. Os contrários em luta e movimento buscam a superação da contradição, superando-se a si próprios”.

Este texto está organizado em quatro partes. A primeira caracteriza os dois projetos de pesquisa vinculados ao OBEDUC. O segundo traz os achados das pesquisas com relação à formação de professores, bem como indica novas frentes de lutas necessárias à RMC e à superação da lógica educacional distanciada da gestão democrática e do reconhecimento dos povos do campo. A terceira parte traz discussões sobre o PPP e os processos coletivos desencadeados nos municípios, visando a reestruturação dos mesmos, a partir do pressuposto de que os PPPs são produtos do trabalho coletivo e reveladores da identidade da escola. A quarta parte traz os resultados dos projetos de pesquisas no que tange à produção do conhecimento e sua divulgação em teses e dissertações.

OS PROJETOS FINANCIADOS PELO OBSERVATÓRIO DA EDUCAÇÃO NA UTP: 2011 A 2016

São dois projetos realizados entre janeiro de 2011 e março de 2017 pela equipe do Núcleo de Pesquisa em Educação do Campo, Movimentos Sociais e Práticas Pedagógicas (NUPECAMP), vinculado ao Programa de Pós-Graduação – Mestrado e Doutorado em Educação – da Universidade Tuiuti do Paraná.

O primeiro projeto, intitulado Realidade das escolas do campo na Região Sul do Brasil: diagnóstico e intervenção pedagógica com ênfase na alfabetização, letramento e formação de professores, submetido ao Edital 038/2010 CAPES/INEP, foi desenvolvido nos anos de janeiro de 2011 a dezembro de 2014, no formato núcleo em rede, integrando a Universidade Federal de Santa Catarina, a Universidade Federal de Pelotas e a instituição privada Universidade Tuiuti do Paraná. O segundo projeto, submetido ao Edital 049/2012 CAPES/INEP, intitulado Educação do campo na Região Metropolitana de Curitiba: diagnóstico, diretrizes curriculares e reestruturação dos projetos político-pedagógicos, está em desenvolvimento, no período de março de 2013 a março de 2017, como núcleo local da Universidade Tuiuti do Paraná.

Nos dois projetos os segmentos participantes são: graduandos de licenciaturas, professores da Educação Básica das escolas públicas localizadas no campo, mestrandos e doutorandos da área da Educação, bem como docentes dos programas de pós-graduação aos quais os projetos foram vinculados. São seis anos de trabalho contínuo articulando educação básica, graduação e pós-graduação stricto sensu. O território de abrangência dos dois projetos, no estado do Paraná, restringe-se a municípios da RMC, que é formada por 29 municípios , conforme disposição da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (COMEC). Na região estão municípios com expressivo desenvolvimento econômico, como Curitiba e Araucária, e com baixo índice de desenvolvimento humano, como Doutor Ulysses e Adrianópolis, pertencentes ao Vale do Ribeira.

Na RMC há 229 escolas no campo, sendo 191 municipais e 38 estaduais. Os municípios que não possuem escolas no campo são Curitiba e Pinhais. Os três municípios com maior número de escolas no campo são: Cerro Azul (31 escolas, sendo 30 da rede municipal); Rio Branco do Sul (20 escolas, sendo 18 da rede municipal); e Lapa (18 escolas, sendo 13 da rede municipal). Lapa é o maior município em extensão territorial no conjunto da RMC e o 7º em extensão territorial do estado do Paraná, com densidade demográfica de 21,6 hab/km², fator que indica o alto grau de ruralidade do município. A maior parte dos municípios da RMC possui baixa densidade demográfica, o que revela a existência de dezenas de comunidades rurais, em meio às atividades econômicas do agronegócio na região. São municípios com comunidades rurais distantes do centro urbano cerca de 70 km, em meio à infraestrutura, como estradas, nem sempre em condições de circulação de veículos e transporte público.

  • Correspondência

    Maria Antônia de Souza


  • Download do artigo

    Escola pública no/do campo, formação de professores e projeto político-pedagógico: experiências no contexto do Programa Observatório da Educação Download

  • Cadastre-se

    Caso queira obter informações sobre a Revista “Formação Docente”, cadatre-se e receba atualizações periódicas sobre a produção acadêmica na área da formação de professores. Cadastre-se

  • Latindex
  • sumarios.org
  • BBE
  • CAPES

    Portal de Periódicos/Qualis

  • Diadorim

    Deadorim

  • Edubase

    Edubase