Volume 09 / n. 15 ago. - dez. 2016: Artigos

Formação continuada de Professores de Matemática no estado do Paraná a partir do Projeto Folhas

foto de Juliane Parcianello

Juliane Parcianello

Graduada em Ciências com habilitação em Matemática pelas Faculdades Integradas Católicas de Palmas (FACIPAL) e em Educação Física pela União de Ensino do Sudoeste do Paraná (UNISEP). É especialista em Matemática pelas FACIPAL e em Saúde para Professores do Ensino Fundamental e Médio pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). É mestre em Educação pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE). Atuou como diretora escolar na rede estadual do Paraná e como secretária municipal de Educação, Cultura e Esporte no município de São Jorge do Oeste, no Paraná. Atualmente é professora de Matemática de ensino médio na Secretaria Estadual de Educação do Governo do Estado do Paraná. Tem experiência nas áreas de Matemática, Educação Matemática, gestão escolar, administração e gestão dos sistemas de ensino de educação infantil e ensino fundamental, assim como na formação de docentes. Secretaria Estadual de Educação do Governo do Estado do Paraná

Resumo

Esta pesquisa teve como objetivo principal compreender as contribuições do Projeto Folhas para a formação continuada de professores de Matemática. Desenvolveu-se mediante análise de trinta Folhas, material com fins didáticos produzidos pelos professores da rede estadual de ensino, sobre o conteúdo estruturante Funções, e foi efetivada por quinze questionários com professores/autores. O levantamento e a interpretação dos dados se deu pela Análise de Conteúdo, proposta por Bardin (2011). O Projeto Folhas possibilitou aos professores de Matemática o acesso à pesquisa a fim de ampliarem seus conhecimentos, bem como a produção colaborativa de textos de caráter teórico e metodológico sobre os conteúdos curriculares direcionados aos alunos do ensino médio e incentivo à carreira profissional, por meio de pontuação para a progressão funcional. Foi uma proposta importante que se configurou como recurso didático e de formação continuada de professores. Proporcionou oportunidade de formação, por meio da produção escrita, do processo de validação e da utilização do material, tanto para o professor que o produziu quanto para o que faz uso do material didático.


Palavras-chave

Ensino de Matemática // Formação continuada de professores de Matemática // Projeto Folhas

Introdução

Nas últimas décadas, no estado do Paraná, através da Secretaria Estadual de Educação (SEED/PR), foram desencadeados vários programas de formação continuada que demonstram preocupação com o desenvolvimento profissional e o aperfeiçoamento do professor da educação básica, sobretudo os desenvolvidos a partir do ano 2003, sob a égide da segunda e da terceira gestão do Governador Roberto Requião de Mello e Silva (2003-2006 e 2007-2010), que concebem o professor como sujeito epistemológico ativo no processo de formação.

As ações de formação continuada desenvolvidas objetivavam promover a melhoria da educação ofertada nas escolas públicas paranaenses. De forma geral, apresentam uma concepção mais democrática voltada para a participação ativa dos professores, a produção colaborativa de material de suporte pedagógico, o reconhecimento da escola como local de formação do professor e a reflexão crítica sobre a prática como fator de desenvolvimento profissional.

Entre os programas desenvolvidos direcionados à Educação Matemática e às questões e problemáticas próprias da disciplina está o Projeto Folhas. O Projeto Folhas foi uma das ações propostas pela SEED/PR na gestão 2003-2006, que se estendeu até 2010. Após esse período, o Projeto perdeu forças e não teve mais continuidade.

Implantado em todo o estado do Paraná no ano 2004, configurou-se como um projeto que possibilitava aos professores a pesquisa a fim de ampliarem seus conhecimentos e a produção colaborativa de textos de caráter teórico e metodológico sobre os conteúdos curriculares direcionados aos alunos do ensino médio.

Por meio do Projeto Folhas busca-se compreender a formação continuada de professores de Matemática no estado do Paraná entre os anos 2003 e 2010. O propósito é investigar de que forma o Projeto contribuiu para o aperfeiçoamento e a valorização profissional dos professores.

Utilizou-se a metodologia de Análise de Conteúdo para investigar os Folhas que tiveram maior número de publicações por conteúdo estruturante. Assim, foram analisados trinta Folhas do conteúdo estruturante Funções. Para compreender a implementação do Projeto junto aos professores da rede e detectar contribuições para a sua formação, realizou-se pesquisa com quinze professores/autores de Folhas do conteúdo estruturante Funções, por meio de questionário enviado por e-mail.

Projeto Folhas: colaboração entre os pares para a elaboração de material para alunos

A constituição do Folhas materializa-se em textos com formato específico planejado para resultar em material didático. Por isso, ao produzir o Folhas, o professor/autor precisava atender a um conjunto de especificações obrigatórias.

Essas especificações estão detalhadas no Manual de Produção do Folhas publicado pela SEED/PR no ano 2006, que, de início, era o mesmo para todas as disciplinas. O Manual de Produção do Folhas: Matemática, publicado no ano 2007, contém as especificações gerais do manual anterior com inclusão das especificidades da disciplina. São elas: a) Problema do Folhas; b) Desenvolvimento teórico disciplinar e contemporâneo; c) Desenvolvimento teórico interdisciplinar; d) Propostas de atividades; e) Referências.

O item identificado como Problema do Folhas devia despertar no aluno o interesse em buscar e investigar os conteúdos necessários para a resolução ou discussão do que está proposto. Ou seja, é preciso “[…] que o aluno seja provocado, mobilizado a ler o Folhas, a estudar e pesquisar para encontrar a resposta” (PARANÁ, 2006a, p. 8).

Para isso, o problema inicial precisava ter relação com o conteúdo, o cotidiano do aluno (conhecimentos prévios, grupo social, mídia e outros) e estar no nível de ensino a que se destina (fundamental ou médio). Sua elaboração devia dar-se sob a ótica do aluno. Essa “[…] contextualização contribui para que o conhecimento ganhe significado para o aluno, para que aquilo que lhe parece sem sentido seja problematizado e apreendido” (PARANÁ, 2007, p. 5). Porém, esse deve ser apenas o ponto de partida da abordagem pedagógica, e a sequência deve proporcionar o desenvolvimento do pensamento e a sistematização do conhecimento.

Em relação à disciplina Matemática, o problema inicial deveria possibilitar a pesquisa em detrimento de respostas imediatas, a compreensão e apropriação do conhecimento matemático pelo estudante; o enunciado deveria fornecer indicativos que apontassem para o conhecimento matemático, para a solução do problema, e contemplar outras áreas do conhecimento, desde que permeado pelo conteúdo matemático. Assim, precisava ser elaborado a partir de situações do cotidiano, da História da Matemática e de situações hipotéticas (PARANÁ, 2007).

O desenvolvimento teórico precisava ser escrito de forma a oferecer suporte ao aluno para a solução do problema. Para isso, envolvia o conteúdo da disciplina, que devia estar adequado aos alunos e ao seu nível de ensino, visando a compreensão e a discussão do problema. Devia conter “[…] informações, convites e oportunidades para reflexões que permitam [permitissem] ao estudante elaborar algumas hipóteses e testá-las junto com seus colegas” (PARANÁ, 2007, p. 9).

A abordagem do conteúdo tinha que ser feita a partir de questões da atualidade, que levassem em conta a evolução e “[…] as aplicações ou usos contemporâneos destes conceitos, as práticas atuais referentes ao conhecimento que está sendo abordado” (PARANÁ, 2007, p.9).

De forma geral, o desenvolvimento teórico precisava favorecer o processo de ensino e a aprendizagem dos conceitos matemáticos. Segundo o texto de 2007, o desenvolvimento teórico do Folhas deve permitir que o estudante:

  • a) Aproprie-se do conhecimento matemático de modo que resolva problemas que surgem no seu cotidiano e aqueles elaborados ao longo da História da Matemática. b) Perceba que a matemática contribui para o desenvolvimento científico e tecnológico ao atuar nos vários campos das ciências. c) Conheça o valor sociológico da matemática que, por meio de soluções de problemas, provoque a crítica de questões sociais, políticas, econômicas e históricas. d) Tenha autonomia de transformação e criação, a partir dos conteúdos matemáticos aprendidos. e) Num processo de aquisição do conhecimento, em uma relação dialética entre o saber e o fazer matemática, pense matematicamente. f) Comunique-se matematicamente, ou seja, significa expressar verbalmente, por escrita ou por imagens, as ideias matemáticas (PARANÁ, 2007, p. 10).

Além de ter o conteúdo matemático como foco da produção, era preciso estabelecer relações com outras disciplinas. Assim, a abordagem do conteúdo acontecia de forma interdisciplinar, em que o objeto de estudo da Matemática tivesse relação com o objeto de estudo de outras disciplinas, o que possibilitaria ao aluno perceber a Matemática como uma disciplina que permeia outros campos do conhecimento, que faz parte do seu dia a dia. Essa relação também é importante para romper com a fragmentação do conhecimento gerado por um currículo disciplinar, como o caso das Diretrizes Curriculares da Educação Básica (DCEs).

  • Trabalhar a interdisciplinaridade não significa negar as especialidades e objetividade de cada disciplina, mas opor-se à concepção de que o conhecimento se processa em campos fechados em si mesmos. A interdisciplinaridade tem que respeitar o território de cada campo do conhecimento e distinguir os pontos que os unem e que os diferenciam. Essa é a condição necessária para detectar as áreas onde se possam estabelecer as conexões possíveis (PARANÁ, 2007, p.11, grifos do autor).
  • Correspondência

    Juliane Parcianello


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