Volume 07 / n. 12 jan. - jun. 2015: Artigos

Cultura escrita: processos de formação docente no contexto da alfabetização

foto de Doris Pires Vargas Bolzan

Doris Pires Vargas Bolzan

Mestre e Doutora em Educação (UFRGS). Especialista em Psicopedagogia Terapêutica (CEMPPOA). Graduada em Pedagogia (UFRGS). Professora associada 4 do Departamento de Metodologia do Ensino no Centro de Educação – UFSM. Pesquisadora Produtividade do CNPq (Pq2). Atua na Pós-Graduação na linha de Formação, Saberes e Desenvolvimento Profissional. Líder do GPFOPE, Grupo de Pesquisa Formação de professores e práticas educativas: educação básica e superior. Seus temas de estudo são: aprendizagem docente, formação de professores, desenvolvimento profissional docente, pedagogia universitária, alfabetização de crianças, jovens e adultos, cultura escrita na escola, resiliência docente.

foto de Andressa Wiebusch

Andressa Wiebusch

Estudante do curso de Mestrado em Educação (UFSM). Especialista em Gestão Educacional (UFSM). Graduada em Pedagogia (UFSM). Tutora à distância no curso de Licenciatura em Pedagogia UFSM/UAB. Membro do GPFOPE – Formação de Professores e Práticas Educativas: Ensino Básico e Superior. Desenvolve pesquisas sobre formação de professores, aprendizagem docente e alfabetização.

foto de Maria Talita Fleig

Maria Talita Fleig

Estudante do curso de Doutorado em Educação (UFSM). Mestre em Educação (UFSM). Especialista em Gestão Educacional (UFSM). Graduada em Pedagogia Habilitação Matérias Pedagógicas do 2º Grau e Educação Pré-Escolar (UFSM). Membro do GPFOPE- Formação de Professores e Práticas Educativas: Ensino Básico e Superior. É professora na Unidade de Educação Infantil Ipê Amarelo (UFSM). Desenvolve pesquisas envolvendo formação docente, cultura escrita e infância.

foto de Silvana Martins de Freitas Millani

Silvana Martins de Freitas Millani

Estudante do curso de Doutorado em Educação (UFSM). Mestre em Educação (UFSM). Especialista em Gestão Educacional (UFSM). Graduada em Pedagogia em Pedagogia Habilitação Matérias Pedagógicas do 2º Grau e Séries Iniciais (UFSM). Membro do GPFOPE- Formação de Professores e Práticas Educativas: Ensino Básico e Superior. É professora dos anos iniciais do ensino fundamental no município de Santa Maria/RS. Atua como professora substituta no Departamento de Metodologia do Ensino da UFSM. Desenvolve pesquisas voltadas à formação docente, cultura escrita e alfabetização.

foto de Giovana Medianeira Fracari Hautrive

Giovana Medianeira Fracari Hautrive

Estudante do curso de Doutorado em Educação (UFSM). Mestre em Educação (UFSM). Especialista em Educação Infantil pelo Centro Universitário Franciscano. Graduada em Educação Especial (UFSM). É professora na Escola Estadual de Educação Especial Dr. Reinaldo Fernando Cóser-escola para surdos, atua como Coordenadora Pedagógica dos Anos Iniciais. Membro do Grupo Formação de Professores e Práticas Educativas: Ensino Básico e Superior – GPFOP. Docente com regime de trabalho parcial no Centro Universitário Franciscano (UNIFRA). Tem experiência na área da Educação, com ênfase em Educação Especial, atuando principalmente nos seguintes temas: alfabetização, surdez, LIBRAS e formação de professores.

foto de Camila Fleck dos Santos

Camila Fleck dos Santos

Mestre em Educação (UFSM). Graduada em Pedagogia (UFSM) e Educação Especial (UFSM). Membro do GPFOPE- Formação de Professores e Práticas Educativas: Ensino Básico e Superior. É professora dos anos iniciais do ensino fundamental no Instituto Estadual de Educação Olavo Bilac. Tutora à distância- UAB da Licenciatura em Pedagogia. Desenvolve pesquisas sobre formação docente, cultura escrita e alfabetização.

Resumo

Este trabalho é o resultado de uma investigação desenvolvida por um grupo de pesquisa vinculado ao Programa de Pós?Graduação em Educação de uma universidade pública do interior do Rio Grande do Sul (RS). O projeto objetivou investigar as concepções docentes acerca da leitura e da escrita a partir das práticas alfabetizadoras que foram desenvolvidas na oficina de letramento vinculada ao Programa Mais Educação de uma escola do sistema municipal do RS, em 2013. Primeiramente, apresentamos o processo de acompanhamento de estudantes dos anos iniciais do ensino fundamental que participaram dos circuitos de atividades diversificadas de leitura e escrita. Posteriormente, destacamos os encontros quinzenais na universidade como um espaço promovido pelo grupo para a interação entre os envolvidos com a pesquisa, estudantes da universidade e professores de escolas, favorecendo a reflexão compartilhada acerca dos saberes e fazeres envolvidos no processo de alfabetização. A abordagem metodológica que sustentou esta pesquisa é de cunho qualitativo sociocultural, fundamentada na atividade discursiva/narrativa. Na análise, apresentamos as narrativas docentes, evidenciando como resultado as concepções sobre a ação pedagógica no contexto da alfabetização, a partir do reconhecimento e da problematização das hipóteses e das construções infantis acerca do processo de leitura e escrita, destacando os momentos de compartilhamento como provocadores de novos saberes professorais.

Abstract
This work is the result of an investigation developed by a research group linked to the Graduate Program in Education from a public university of the countryside of Rio Grande do Sul (RS). The project aimed to investigate the teacher conceptions on reading and writing from the literacy practices that were developed in the literacy workshop linked to the More Education Program in a school of the Municipality System of RS, in 2013. First, we present the monitoring process of students in the early years of elementary school that participate of the circuit of diversified activities on reading and writing. After, we highlight the fortnightly meetings in the university as a space promoted by the group for the interaction among the people evolved with the research, students from the university and teachers of schools, favoring the shared reflection about the knowledge and practices evolved in the literacy process. The methodological approach which supports the research is of sociocultural qualitative nature, founded in the discursive/narrative activity. In the analysis, we present the teacher narratives, evidencing as a result the conceptions about the pedagogical action in the context of literacy, from the recognition and problematization of the hypothesis and the children constructions about the reading and writing process, highlighting the shared moments as provocative of new knowledge of teachers.


Palavras-chave

Alfabetização // Circuito de atividades diversificadas // Concepções Docentes

Considerações iniciais

O processo de formação docente no contexto da alfabetização ganha relevância nos debates educacionais atuais, os quais primam pela qualidade da construção da leitura e da escrita de estudantes dos anos iniciais do ensino fundamental. Nessa perspectiva, esse processo constitui um dos enfoques de investigação de um grupo de pesquisa sobre práticas educativas e formação docente de uma universidade pública do Rio Grande do Sul (RS), por meio de um estudo interinstitucional e integrado sobre a cultura escrita e a formação de professores. Participam desse grupo professoras e acadêmicas dos cursos de Pedagogia, Educação Especial, Especialização em Gestão Educacional, Mestrado e Doutorado em Educação de uma universidade pública e também professoras da educação básica dos sistemas municipal e estadual da região central do RS.

Os estudos vinculados ao projeto de pesquisa e extensão têm nos permitido problematizar questões relacionadas à construção da leitura e da escrita em processos de alfabetização, buscando contribuir com as discussões sobre as práticas docentes nesse contexto de ensino e de aprendizagem.

A ênfase na atividade do sujeito contribui para o entendimento dos aspectos envolvidos na aprendizagem, que nos auxiliam a pensar sobre os processos de leitura e escrita vividos pelos estudantes, por meio do reconhecimento dos elementos vinculados à construção do sistema de escrita alfabética. Nessa perspectiva, a orientação atual está na compreensão sobre a natureza do processo de construção do conhecimento, modificando o foco dos estudos – da investigação sobre “como se ensina” para o estudo sobre “como se aprende” (FERREIRO; TEBEROSKY, 1999).

Novas possibilidades são desveladas a partir de abordagens sobre a cognição humana, que reconhecem que os sujeitos apresentam diferentes estilos cognitivos, assim como distintos ritmos e modos de aprendizagem. Dessa forma, é possível considerar que a elaboração de estratégias pedagógicas sobre leitura e escrita exige o reconhecimento da variedade de estilos de aprendizagem, bem como o atendimento das exigências sociais na atualidade (PERNIGOTTI et al., 1999). Logo, as práticas de leitura e de escrita precisam partir de situações reais, dos conhecimentos prévios do grupo, dos seus modos de aprender e das suas concepções sobre o sistema de representação da escrita. Nosso enfoque se refere à cultura escrita, que se caracteriza pelas

  • […] ações, valores, procedimentos e instrumentos que constituem a cultura grafocêntrica na qual estamos inseridos. É um processo no qual os estudantes compreendem os usos e funções sociais da escrita a partir das práticas. Este processo de apropriação da língua implica a compreensão de que as experiências em contextos educativos podem gerar práticas e necessidades de leitura e de escrita que darão sentido e significado às aprendizagens a partir do contexto sociocultural dos sujeitos deste processo (BOLZAN; SANTOS; POWACZUK, 2013, p. 109).

Nos estudos vinculados às nossas pesquisas, consideramos os conhecimentos e as noções prévias dos estudantes sobre a leitura e a escrita e as relações estabelecidas com as informações provenientes das relações com seus pares. Nesse sentido, acreditamos que o percurso evolutivo dos estudantes é decorrente da formulação de hipóteses e das condições contextuais que contribuem para o avanço no domínio das práticas comunicativas. Assim, compreendemos a interação grupal como dispositivo que possibilita à criança construir e reconstruir seu conhecimento sobre a linguagem escrita a partir de situações desafiadoras que geram novas aprendizagens. Os estudos de Teberosky (1987, p. 136) colaboram com nossas discussões, ao afirmar que,

  • […] Graças a esses intercâmbios [a interação grupal entre pares], torna?se possível socializar conhecimentos com quem está trabalhando com hipóteses mais avançadas. Esse fato gera, potencialmente, conflitos, e pode conduzir algumas crianças a um progresso conceptual. O conflito se evidencia pela interação simultânea entre as ideias? produto de uma construção endógena e as informações exógenas que provêm das opiniões dos outros.

Nesse sentido, as atividades diversificadas de leitura e de escrita, organizadas em circuitos, instigam o compartilhamento e a apropriação de conhecimentos mais elaborados, gerando o desenvolvimento por meio de atividades, experiências e interações que os sujeitos estabelecem com a língua materna.

Isaia (2008) analisa a influência da interação grupal entre pares no processo de construção da “lectoescrita”. Para a autora, a interação grupal proporciona o enriquecimento das construções dos sujeitos, uma vez que os intercâmbios de pensamento e trocas de hipóteses geram conflitos internos que levam o sujeito a reorganizar seus esquemas cognitivos. Consideramos, assim, que nesse processo torna?se imprescindível que o professor reconheça seu papel como mediador das interações estabelecidas e, além disso, identifique os diferentes estilos de aprendizagem presentes nessa relação grupal. Contudo, a observação e compreensão acerca das construções sobre a leitura e a escrita só são possíveis quando o professor tem consciência que também aprende ao ensinar, aceitando o desafio de construir novos saberes, por meio da reflexão sobre o processo de aprendizagem dos estudantes com os quais trabalha.

Com base nesses pressupostos, buscamos compreender o processo de construção da “lectoescrita” de estudantes em fase de alfabetização do sistema municipal de ensino de uma cidade da região central do RS, bem como reconhecer as concepções docentes acerca do processo de alfabetização, problematizando estratégias didático?pedagógicas, de modo a qualificar as práticas de leitura e de escrita desenvolvidas em sala de aula.

Os conhecimentos e reflexões compartilhados com os professores participantes da pesquisa, por meio de estudos realizados na universidade, possibilitaram respaldar as atividades diversificadas propostas, construídas a partir de temas que emergiram nas interações e interlocuções na escola. A identificação das hipóteses de leitura e de escrita construídas pelos estudantes em processo de alfabetização foi ponto de partida no desenvolvimento de um trabalho integrado entre a universidade e o sistema municipal de ensino.

Assim, o recorte da pesquisa apresentado neste trabalho, referenciado no relatório parcial do projeto em questão, indica dois encaminhamentos realizados: um deles diz respeito ao espaço promovido pelo grupo para a interação entre os membros da pesquisa, favorecendo a reflexão compartilhada acerca dos saberes e fazeres envolvidos no processo de alfabetização; o segundo aborda o processo de acompanhamento de estudantes dos anos iniciais que participaram dos circuitos de atividades diversificadas de leitura e de escrita, organizados a partir das diferentes demandas, ritmos de aprendizagens e estilos cognitivos evidenciados no contexto escolar.

  • Correspondência

    Doris Pires Vargas Bolzan


    Andressa Wiebusch


    Maria Talita Fleig


    Silvana Martins de Freitas Millani


    Giovana Medianeira Fracari Hautrive


    Camila Fleck dos Santos


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