Volume 06 / n. 10 jan. - jul. 2014: Artigos

Professores em início de carreira: Políticas públicas no contexto da América Latina

foto de Angelita A. Azevedo Freitas

Angelita A. Azevedo Freitas

Mestre em Educação pela Universidade Federal de Ouro Preto. Desenvolve pesquisas científicas na área de Formação de Professores e Educação de Jovens e Adultos. É pesquisadora no Grupo de Pesquisa FOPROFI, da Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência como docente na educação infantil, ensino fundamental e ensino superior, bem como na coordenação, supervisão e direção pedagógica nas redes pública e privada.

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Célia Nunes

Possui Doutorado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Atualmente é professora associada da Universidade Federal de Ouro Preto. É membro dos grupos de pesquisa FOPROFI ( UFOP) e PRODOC ( UFMG). Tem experiência na área de Educação desenvolvendo tanto atividades administrativas no ensino superior como atividades de ensino, pesquisa e extensão nas áreas e temas: formação inicial e continuada de professores, saberes docentes, prática pedagógica, jovens e adultos, avaliação e política e gestão educacional.

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Regina Magna Bonifácio de Araújo

Pós-doutora pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), mestre em Educação pela Universidade Federal de Juiz de Fora e Pedagoga pela PUC Minas. Professora Adjunta II da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), é docente no Programa de Pós-Graduação em Educação e no Mestrado Profissional em Ensino de Ciências. Autora de inúmeros artigos sobre formação do Pedagogo e Educação de Jovens e Adultos. Coautora do livro Educação de Jovens e Adultos: sujeitos, saberes e práticas e coordenadora da Série EJA, da Coleção Docência em Formação, pela Editora Cortez.

Resumo

Uma abordagem importante de investigação que a literatura tem nos apresentado acerca da profissão docente é aquela relacionada ao professor iniciante. Essa etapa da vida profissional geralmente é vivenciada com grandes dificuldades pelos professores, que associam essa fase da carreira a sentimentos como solidão, angústias, agruras. O presente estudo visou identificar políticas públicas de apoio ao professor em início de carreira, no Brasil e em outros países da América Latina. Pôde-se constatar que existem programas em alguns países, mas, que tais experiências ocorrem de maneira pontual e isolada, não se constituindo em uma política efetiva de apoio ao professor nessa fase da carreira. Diante disso, reafirmamos que a formação dos professores, para todos os níveis e modalidades de ensino, necessita ser profundamente revista, discutida e modificada a partir de concepções que efetivamente contribuam com a construção de um perfil profissional docente à altura dos desafios que a realidade educacional nos coloca.


Palavras-chave

América Latina // Brasil // Políticas Públicas // Professores Iniciantes

Introdução

É surpreendente o número de publicações que, nas últimas décadas, tem-se dedicado aos professores, sua formação e profissão. De diferentes campos disciplinares, com diferentes perspectivas e focos de análises, essas contribuições vêm revelando aspectos de uma profissão que é por todos conhecida, mas que, de fato, poucos pesquisaram ou estudaram em profundidade, como por exemplo, o “caráter intimista do ato pedagógico”, conforme afirma Estrela (1997), ou mesmo, a trajetória daqueles que a essa profissão decidem se entregar.

Pelo seu caráter pluridisciplinar e pela diversidade das abordagens referentes à profissão docente, torna-se um grande desafio a tentativa de construção de um quadro geral que estruture a literatura nessa área. Entretanto, cada vez mais estudos têm se especializado, na tentativa de evocar determinadas reflexões, seja numa área específica, seja num determinado segmento da educação. Este estudo, que não pretende ser exaustivo na discussão em questão, busca uma compreensão maior da profissão docente, tomando como referência a América Latina e o ingresso do docente na carreira.
Consideramos que uma abordagem importante de investigação que a literatura tem nos apresentado acerca da profissão docente é aquela relacionada ao professor iniciante. Essa etapa da vida profissional, geralmente, é vivenciada com grandes dificuldades pelos professores, que a associam a sentimentos como solidão, angústias, agruras (GARCIA, 1999, 2008; HUBERMAN, 1995; LIMA et al, 2006; MARIANO, 2006; CORSI, 2006).

Reconhecemos que a tarefa do professor é cada vez mais complexa e exigente, já que as mudanças científicas, tecnológicas e sociais têm provocado alterações que afetam a sociedade de uma maneira geral e, em particular, os processos de aprendizagem e a escola. Educar, na atualidade, exige que o professor seja capaz de proporcionar aos seus alunos que eles aprendam a conhecer, a fazer, a conviver e a ser, num contexto em que essas aprendizagens, de acordo com Delors (1997), são fundamentais. Assim, a formação, orientação, apoio e estímulo aos professores iniciantes são exigências para se garantirem o fortalecimento da profissão e a qualidade futura da ação educacional. Diante desse desafio, faz-se mister pensarmos o início da carreira docente, caracterizado por Lima (2006, p. 9)

  • como uma fase tão importante quanto difícil na constituição da carreira do professor. É um momento dotado de características próprias, no qual ocorrem as principais marcas da identidade e do estilo que vão caracterizar a profissional/professora ou o profissional/professor ao longo de sua carreira.

De acordo com Garcia (1999, p. 113), citando Borko (1986), esse momento de iniciação na carreira é vivenciado como “um período de tensões e aprendizagens intensivas em contextos geralmente desconhecidos, e durante o qual os professores principiantes devem adquirir conhecimento profissional, além de conseguirem manter um certo equilíbrio pessoal”. O autor caracteriza ainda o início da docência

  • como os primeiros anos de trabalho, quando o professor se socializa no sistema. É um período em que o professor principiante se esforça por aceitar os estudantes, os colegas e supervisores, e tenta alcançar um certo nível de segurança no modo como lida com os problemas e questões do seu dia a dia. É possível que os professores também experienciem este começo quando mudam para outro nível, outra escola, ou quando mudam de região (GARCIA, 1999, p. 114).

A partir dessa definição, percebemos que os aspectos que marcam o início da docência podem ser vivenciados em outros momentos da carreira, por mais de uma vez, em contextos diferentes, pois o início não abrange somente o critério temporal, mas também o situacional, contextual.

Outra definição interessante acerca desse período sinaliza para o quão complexa é a tarefa docente:

  • no seu primeiro ano de docência, os professores são estrangeiros num mundo estranho, um mundo que lhes é simultaneamente conhecido e desconhecido. Ainda que tenham passado milhares de horas nas escolas a ver professores e implicados nos processos escolares, os professores principiantes não estão familiarizados com a situação específica em que começam a ensinar (GARCIA, 1999, p. 114).

Nesses estudos sobre o início da carreira docente, tem-se enfocado o choque do real ou choque de realidade, ou seja, “a confrontação inicial com a complexidade da situação” (HUBERMAN, 1995, p.39) e as condições de permanência do profissional na docência, apesar de todas as agruras que vivencia.

Encontramos algumas definições de choque de realidade também em Mariano (2006, p.44), citando Veenmam (1988), como “a diferença entre o real e o ideal”. Esse choque é marcado pelo sentimento de sobrevivência, quando o iniciante se questiona o que ele está fazendo naquele lugar. A “_sobrevivência_” vivida no início da carreira é um termo utilizado por Huberman (1995, p. 39) para designar um

  • tatear constante, a preocupação consigo próprio, a distância entre os ideais e as realidades cotidianas da sala de aula, a fragmentação do trabalho, a dificuldade em fazer face, simultaneamente, à relação pedagógica e à transmissão de conhecimentos, a oscilação entre relações demasiado íntimas e demasiado distantes, dificuldades com alunos que criam problemas, com material didático inadequado, etc.

Em contrapartida, no cotidiano da escola, os professores podem experimentar “o sentimento de “_descoberta_”, o sentir-se profissional, ter a sua sala de aula. É essa descoberta a mola propulsora para a permanência do professor na profissão docente. Ela diz respeito ainda à motivação e ao entusiasmo que o professor cria diante do que a sua profissão vai lhe apresentando e é o que lhe faz permanecer na carreira (HUBERMAN, 1995).

  • Correspondência

    Angelita A. Azevedo Freitas


    Célia Nunes

    Rua do seminário, s. no. – Centro Mariana MG Cep 35420000


    Regina Magna Bonifácio de Araújo


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