Volume 01 / n. 01 ago.-dez. 2009: Artigos

Pesquisa sobre formação de profissionais da educação no GT 8/Anped: travessia histórica

A segunda categoria menos pesquisada reúne 14 investigações, cujos objetos compreendem, em sua maioria, a avaliação de Programas e Projetos de Políticas de Formação de Professores, correspondendo a 35% dos trabalhos que compõem essa categoria. Novos loci de formação decorrentes das prescrições da LDB/1996 tem sido investigados, embora seja uma temática ainda lacunar no conjunto dos trabalhos do GT8. Alguns trabalhos ofereceram argumentos para defender ações governamentais com vista a responder às exigências dos financiadores externos em relação à necessidade de aumento quantitativo de professores capacitados e certificados, nas regiões periféricas do país, embora a maioria das pesquisas da categoria “Políticas de Formação de Profissionais da Educação” apresentem uma análise crítica em relação a essas mesmas decisões de Estado.

Os estudos na modalidade de pesquisa estado da arte aqui estão associados à categoria “Revisão de Literatura”. Em número de quatro, a pesquisas fazem um balanço de trabalhos discentes como dissertações e teses e resultados de investigações divulgadas em forma de artigos em periódicos científicos e em anais de eventos.

Para dar maior visibilidade aos trabalhos aqui analisados, na sequência apresento o Quadro 1 das categorias e de seus respectivos descritores e subdescritores que expressam sinteticamente boa parte dos resultados da pesquisa, que originou o presente artigo.

Uma análise de caráter geral permite-me assegurar que a maioria das investigações giram em torno da importância da pesquisa na formação do professor e da formação inicial e continuada fortemente qualificada para atuação em todos os níveis de ensino do Sistema Nacional de Ensino; que o referencial teórico de boa parte dos trabalhos está centrado na reflexão sobre a prática, na produção de conhecimento acerca da docência e da profissionalização do professor e nos saberes do professor. A pedagogia das competências aparece também como referencial de muitos trabalhos, em particular, naqueles que se debruçam na avaliação de programas de formação continuada e de pesquisas sobre a capacitação de professores da educação básica para uso das novas tecnologias. Quanto ao método e metodologias de pesquisa, não é demais repetir, os pesquisadores precisam ficar atentos para que concepções e modus faciendi sejam detalhadamente descritos. Acrescento que ainda permanecem residualmente relatos de experiências que não são recomendados pelo Comitê Científico da Anped.

Por ora, a metanálise realizada é feita do interior do lugar da produção e de sua socialização, por uma pesquisadora que se ancora em seus referenciais a respeito da ciência, da pesquisa em ciências sociais e humanas, do conhecimento produzido no campo da formação de professores. Essa metanálise retorna ao mesmo interior dessa produção para críticas. Com efeito, as críticas contribuirão para uma reflexão coletiva, em especial, sobre a(s) identidade(s) do GT8, a sua consolidação com vista a novos desafios diante das interfaces temáticas com outros GTs e do enfrentamento à mudanças recentes provocadas por políticas governamentais relacionadas com os cursos de formação dos profissionais da educação.

Desse modo, afirmo que boa parte do futuro da produção científica do GT já parece estar anunciada, na medida em que destaquei os temas mais pesquisados, os emergentes e os silenciados, mas o futuro do GT Formação de Professores me intriga.

Futuro do GT 8?

Não obstante contínuos aportes das pesquisas sobre formação de profissionais da educação e pesquisas colaborativas que avaliam a formação continuada de professores da educação básica em análise, em reflexão, em avaliação no Fórum de Debates anual – GT 8 Formação de Professores da Anped -, dados alarmantes sobre o fraco desempenho do ensino fundamental e médio no país são sistematicamente publicados pelo MEC/INEP. A eles se associam os baixos Índices de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) e a necessidade de suprir neste nível de ensino a carência de professores formados para atuar em áreas e disciplinas compatíveis com a formação que receberam.

Diante desta constatação, o ministro da Educação estabeleceu como políticas educacionais a reversão do sofrível IDEB e, para tanto, lançou o desafio, entre tantos outros, de formar pela Universidade Aberta do Brasil (UAB) para atuarem na educação infantil, ensino fundamental e ensino médio 250.000 professores até 2010.

Outra política governamental de formação de professores está em curso com base no Decreto n. 6.755, de 29/01/2009, que instituiu a “Política Nacional de Formação dos Profissionais do Magistério”, atribuindo competências à Capes para atingir os seguintes objetivos: organizar e fomentar a formação inicial e continuada dos profissionais do magistério das redes públicas da educação básica, em regime de colaboração entre a União, os estados, Distrito Federal e municípios e, concretizar a Política Nacional por meio de planos estratégicos formulados em Fóruns Permanentes de Apoio à Formação Docente, instituídos em cada estado e no Distrito Federal.

Temo pelas consequências de tais políticas que poderão incentivar uma formação de professores em massa, em modalidades aligeiradas, para atender a demandas prementes da educação básica que deixaram de ser atendidas, desde os primórdios do governo republicano brasileiro.

Isto posto, com certa prudência, mas com coragem e ousadia indago:

Até que ponto os cursos de formação inicial presencial e a distância de professores e a pluralidade de procedimentos de formação continuada estariam respondendo às necessidades da sociedade pós-industrial, da revolução tecnológica, marcada pela produção científica, pelo desenvolvimento dos meios de comunicação e informação, por desigualdades e tensões sociais assustadoras e por novas formas de exercício da cidadania?

Em que medida a produção científica veiculada no GT Formação de Professores vem contribuindo para mudanças na prática pedagógica e social da educação básica e superior inseridas no contexto cultural contemporâneo?

Julgo ainda importante mencionar recomendações aos pesquisadores do GT Formação de Professores oferecidas por Miriam Limoeiro Cardoso, com quem concordo plenamente. As recomendações poderão concorrer para fomentar novas discussões no GT 8/Fórum de Debates: a) o conhecimento científico avançado de hoje irá fazendo parte, de modo progressivo, do conhecimento vulgar de amanhã, todavia, continua conhecimento; b) desenvolver pesquisa é difícil, uma vez que a teoria está sempre sendo transformada, a escolha e uso do método é processo complexo e algo sempre perturba a tranquilidade da análise que carece ser refeita; c) ao concluir seu trabalho um pesquisador não dirá: “- Agora, sim conheço. Sua posição exige um rigor maior, e ele dirá: – Agora o conhecimento é mais perfeito do que aquele de que partimos” (CARDOSO, 1976, p. 86).

Diante desses ensinamentos de Miriam Limoeiro Cardoso, convido os participantes do GT 8: continuemos… Somos pesquisadores históricos e históricos pesquisadores porque humanos.

  • Correspondência

    Iria Brzezinski

    Rua Dom Orione (antiga T-48/A)
    n. 188,apto. 101.
    Edifício Lagoa dos Mares
    74140 080 Setor Oeste Goiânia
    GO Brasil


  • Tabela 1

    Tabela 1

    Resultados do estado da arte de trabalhos apresentados no GT8 -1992-1998

    Tabela 2

    Tabela 2

    Resultados de análise de trabalhos apresentados no GT8 1999-2003

    Tabela 3

    Tabela 3

    Categorização dos trabalhos, frequência em ordem decrescente – 1999-2008

    Gráfico 1

    Gráfico 1

    Categorias de análise, percentual de ocorrência 1999-2008

    Quadro 1 - Categoria 1

    Quadro 1 - Categoria 1

    Concepções de Docência e de Formação de Professores

    Quadro 1 - Categoria 2

    Quadro 1 - Categoria 2

    Políticas e Propostas de Profissionais da Educação

    Quadro 1 - Categoria 3

    Quadro 1 - Categoria 3

    Formação Inicial

    Quadro 1 - Categoria 4

    Quadro 1 - Categoria 4

    Formação Continuada

    Quadro 1 - Categoria 5

    Quadro 1 - Categoria 5

    Trabalho Docente

    Quadro 1 - Categoria 6

    Quadro 1 - Categoria 6

    Identidade e Profissionalização Docente

    Quadro 1 - Categoria 7

    Quadro 1 - Categoria 7

    Revisão de Literatura

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