Volume 01 / n. 01 ago.-dez. 2009: Artigos

Pesquisa sobre formação de profissionais da educação no GT 8/Anped: travessia histórica

No relatório de avaliação da 2ª RA do GT Licenciaturas (1985), a coordenadora apontava alguns encaminhamentos para maior estruturação do Grupo de Trabalho, entre eles: a) discutir, analisar e avaliar as propostas de reformulação das licenciaturas em andamento nas universidades; b) estimular os programas de pós-graduação a promoverem estudos sobre as licenciaturas. Krasilchik (1985) anunciava que os estudos acerca das licenciaturas deveriam centrar-se em aspectos como a questão da teoria e prática, vantagem e desvantagem da existência dos currículos mínimos dos cursos, as diferentes disciplinas que deveriam compor um currículo e o estágio supervisionado. A coordenadora ainda destacou no relatório (1985) a inexequibilidade das novas experiências de reformulação dos cursos de formação de professores, devido às condições complexas e desintegradoras das instituições que repartiam disciplinas e atribuições da formação entre a Faculdade de Educação e os Institutos de “Conteúdos Específicos”.

Durante a entrevista dada em 2007, Míriam retomou esta problemática, lamentando ainda não ter sido superada a questão no interior da universidade. Ressaltou o papel fundamental da Faculdade de Educação na complexa tarefa de formar professores e a necessária interligação, intrauniversitária, entre departamentos e institutos que dela também se ocupam. Míriam deu realce à importância da “criação de uma linguagem, de uma postura e de uma política interdisciplinar na Universidade”, destacando o exemplo que conhece da FEUSP de que há uma comissão composta por professores de múltiplas tendências e que vêm estimulando formas de aproximações institucionais, com a finalidade de promover essa interdisciplinaridade.

Retomando a narrativa da travessia do GT8, ainda na fase organizativa, saliento que, em atendimento às recomendações ao aludido relatório de 1985, no decorrer da 9ª RA e 3ª do GT8 os participantes se dedicaram à análise das experiências resultantes de pesquisas acerca do ensino de Matemática, Ciências Físicas e Biológicas, do estágio supervisionado e das atividades de aperfeiçoamento de professores em exercício. Nesta mesma RA, o GT8 destinou um dia integral para análise do Movimento de Reformulação dos Cursos de Formação do Educador, cujos coordenadores iniciavam uma pesquisa sobre os cursos de licenciaturas de diversas universidades brasileiras e estiveram no GT apresentando o projeto ao mesmo tempo em que solicitavam colaboração.

No planejamento da reunião do ano seguinte foram atribuídas duas tarefas aos membros do GT: produzir textos para serem divulgados sistematicamente sobre discussões realizadas e experiências de mudanças curriculares, e preparar um programa de pesquisa sobre os temas relevantes para fundamentar estudos e propostas emergentes sobre formação de professores.

Fato importante a destacar foi que somente na Assembleia Geral da 9ª RA (1986) foram estabelecidos critérios para organização de GTs. Cito alguns: a) mandato de dois anos para o coordenador; b) possibilidade de uma recondução; c)definição de 60 dias de antecedência mínima para envio de trabalhos, à Secretaria da Anped, a serem avaliados. Lembro que até a 14ª RA os trabalhos eram avaliados pelo coordenador do GT, e em alguns, como era prática do GT Licenciaturas, os trabalhos eram também avaliados por um grupo voluntário de pareceristas ad hoc, pois o Comitê Científico, tal como hoje se organiza, foi instalado somente em 1992 (14ª RA).

Como síntese do percurso da pesquisa neste período, considero que o GT8 constituiu um fórum de reflexão sobre os problemas dos cursos de licenciatura, a partir do qual se delineou um programa de estudos, tendo em vista o conhecimento da realidade desses cursos no país.

O “acontecido”: o GT Licenciatura dá mostras de organização e começa a ter visibilidade no contexto das RA. Delineia-se sua primeira identidade como grupo que caminhava para sua organização.

GT Licenciatura: os alicerces da organização

Na 10ª RA da Anped, 4ª RA do GT8 (1987), houve participação e debates relacionados à pesquisa com os Coordenadores da Comissão de Licenciatura da SBPC, da Comissão Nacional de Reformulação dos Cursos de Formação do Educador e representantes do projeto: “Contribuições da Pós-Graduação para a Licenciatura”. Nesta mesma oportunidade, foram apresentados os resultados preliminares e as perspectivas de continuidade do projeto “Novos rumos das Licenciaturas”.

Os avanços dos estudos nessa reunião indicavam uma crescente estruturação do GT e propiciaram a definição de uma linha de pesquisa dirigida à análise das experiências do processo de formação docente, considerados seus pressupostos, o contexto em que se realiza e o significado social dos resultados.

Em 1988, em face à necessidade de apresentar propostas para a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, na 11ª RA da Anped e 5ª RA do GT, o primeiro dia foi dedicado às discussões a respeito da importância “de conciliar o trabalho regular do grupo com a necessidade de apresentação de propostas para a nova LDB” (KRASILCHIK, 1988, p. 29). Os debates e encaminhamentos foram marcados por temas fortemente relacionados com políticas educacionais de formação de professores. A sequência de trabalhos apresentados nessa reunião por Menga Lüdke (PUC/RJ), Iria Brzezinski (UCG/UnB), Maria Lúcia Worten (UFRGS), Leda Azevedo (UFG) e Antônio Araújo (UFRN) suscitaram o delineamento de um currículo para as licenciaturas que contemplou a base comum nacional de formação. Essa base tem sido objeto de estudos do Movimento Nacional de Educadores.

Interessante o resultado da RA de 1988, pois os participantes do GT chegaram a indicar uma organização curricular de formação de professores que incluía a área de conteúdo pedagógico, disciplinas de conteúdo específicos e disciplinas integradoras. As discussões versaram ainda sobre as relações entre bacharelado e licenciatura, tópico analisado devido à exclusão das disciplinas de licenciatura do currículo mínimo do curso de Biologia pelo Conselho Federal de Biologia, impedindo o registro dos licenciados naquele Conselho; à formação e carreira do professor na LDB e o campo de trabalho da educação informal e a licenciatura.

Míriam Krasilchik permaneceu coordenando o GT até 1988, quando foi eleito Alfredo Gomes Faria Júnior. Este coordenador decidiu apresentar um documento gerador para a 6ª RA do GT e 12ª da Anped, elaborado por membros do GT no período que precedeu a reunião, para orientar as discussões do grupo. Desse modo, imprimiu ao GT uma nova metodologia de trabalho. Segundo o relatório de 1989, nessa reunião

  • tiveram lugar as discussões objetivando a formulação de propostas específicas para a LDB, centrando-se a discussão no tema “Magistério: formação e carreira”, embora outros temas também tivesse merecido algumas reflexões. A questão curricular, a relação teoria/prática, a eliminação das licenciaturas curtas e o binômio magistério-carreira foram os subtemas trabalhados. (FARIA JÚNIOR, 1989, p. 78)

Em 1990, o GT Licenciatura reuniu-se pela sétima vez na 13ª RA da Anped, porém, vivenciou uma situação atípica, com 41 participantes, somente quatro trabalhos de pesquisa foram apresentados por investigadores que integravam o GT desde sua criação. Os debates se voltaram para análise das concepções epistemológicas, procedimentos de pesquisa e resultados dos trabalhos apresentados. Essas eram atividades exigidas pela Anped como condições para considerar um grupo em consolidação. O coordenador foi reconduzido e passou a contar com uma vice, ambos da UFRJ, no entanto, ele afastou-se antes de realizar-se a 14ª RA (1991) e 8ª RA do GT. Verificou-se certa desintegração causada pelo afastamento do ex-coordenador e que não foi superada, ainda que a vice-coordenadora estivesse presente durante a reunião. A falta de um relatório deixou os participantes do GT8 sem qualquer informação, exceto o registro de que houve eleição de nova coordenadora Anna Pessoa de Carvalho, da USP.

Em 1992, a 15ª RA inaugurou uma outra modalidade de exposição e debates – sessão especial conjunta, inter-GTs – com objetivo de maior aprofundamento de temas, sob a responsabilidade de pesquisadores experientes. O GT8 integrou-se ao GT Alfabetização e a temática da primeira sessão especial foi a respeito de pesquisas das áreas específicas do conhecimento que influenciavam os cursos de formação e a educação do professor alfabetizador. O caloroso debate instalado na sessão especial sobre a diversidade dos níveis e modalidades de formação do educador e a especificidade dos cursos motivou os pesquisadores a avaliarem a própria configuração do GT. A abrangência e a multiplicidade temática, a diversidade de objetos e problemas de investigação que circulavam no GT exigiam redimensionamentos. Apesar disso, os trabalhos apresentados para discussão correspondiam muito pouco à diversidade de níveis e de modalidades de formação constatada na prática.

Míriam Krasilchik (2007) referiu-se à distância entre o que se pesquisa nos cursos de pós-graduação e a prática da educação básica, destacando ser uma questão não equacionada no campo de formação de professores:

  • o problema maior que sempre existiu reside no distanciamento da universidade em relação à escola, essa relação se dá em várias esferas, eu diria que na esfera das políticas públicas; também depende da cultura de cada uma das instituições e por isso, alguns grupos de profissionais da universidade colaboram e interferem na educação básica, outros não.

A travessia histórica do GT8 nesta oportunidade foi marcada por uma decisão significativa do grupo permanente de pesquisadores, com vistas a demarcar a identidade do GT. Foi escolhido um tema gerador para a 10ª RA do GT (1993) na tentativa de atrair e congregar as discussões e debates concernentes a todas as licenciaturas. “Que professores estamos formando?” foi a questão norteadora das discussões. Uma orientação foi dada ao processo de seleção de trabalhos do GT: o foco deveria voltar-se aos conteúdos específicos, buscando uma relação dialógica entre a produção do conhecimento escolar e a formação de professores. Definiu-se pela elaboração de um Boletim que veiculasse informações no inter-regno das RAs entre os membros do GT8.

Ao sintetizar o percurso da pesquisa neste período no GT8 é possível assegurar que houve tentativas de traçar novos rumos para as licenciaturas, a partir de levantamentos sobre os cursos de graduação que formavam professores no país e do exame de práticas inovadoras, centradas em projetos de pesquisa, que começavam a despontar.

O “acontecido”: o GT Licenciatura mais consolidado, dialeticamente, faz emergir o novo.

  • Correspondência

  • Tabela 1

    Tabela 1

    Resultados do estado da arte de trabalhos apresentados no GT8 -1992-1998

    Tabela 2

    Tabela 2

    Resultados de análise de trabalhos apresentados no GT8 1999-2003

    Tabela 3

    Tabela 3

    Categorização dos trabalhos, frequência em ordem decrescente – 1999-2008

    Gráfico 1

    Gráfico 1

    Categorias de análise, percentual de ocorrência 1999-2008

    Quadro 1 - Categoria 1

    Quadro 1 - Categoria 1

    Concepções de Docência e de Formação de Professores

    Quadro 1 - Categoria 2

    Quadro 1 - Categoria 2

    Políticas e Propostas de Profissionais da Educação

    Quadro 1 - Categoria 3

    Quadro 1 - Categoria 3

    Formação Inicial

    Quadro 1 - Categoria 4

    Quadro 1 - Categoria 4

    Formação Continuada

    Quadro 1 - Categoria 5

    Quadro 1 - Categoria 5

    Trabalho Docente

    Quadro 1 - Categoria 6

    Quadro 1 - Categoria 6

    Identidade e Profissionalização Docente

    Quadro 1 - Categoria 7

    Quadro 1 - Categoria 7

    Revisão de Literatura

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